Ao acordar, Lu Xineran descobriu que tinha entrado dentro de um livro e ainda por cima se tornado a vilã descartável, a verdadeira filha da família, que em todo lugar precisava se comparar com a falsa
A névoa da manhã ainda não se dissipara, e a luz do dia mal começava a clarear.
No pátio, as velhas e as criadas já tinham levantado e iniciavam a limpeza do novo dia.
Dentro do quarto, o braseiro de bronze junto à cabeceira da cama, ornado com lótus incrustados a ouro, ainda exalava uma fina espiral de perfume.
O baldaquino de tecido azul-celeste foi discretamente puxado de dentro para fora, e uma silhueta se ergueu, aturdida, sentando-se na cama e lançando um olhar perdido ao redor do aposento.
Lu Xinan havia chegado ali há três dias. Ao despertar, ouvira de imediato uma algazarra lá fora; os gritos e as vozes dos servos invadiam-lhe os ouvidos sem cessar. Seu corpo estava encharcado, e alguém a envolvera num cobertor antes de carregá-la de volta ao quarto.
Depois disso, ela permaneceu num torpor constante. Quando era hora de tomar remédios ou fazer as refeições, vinham chamá-la, ajudando-a a engolir tigelas e tigelas de poções e mingaus.
Ao lado da cama ainda dormia uma criada. Lu Xinan fitou o quarto, a mente ainda um pouco nebulosa.
Você acordou.
Uma voz infantil soou em sua cabeça, e a confusão que lhe pesava na mente dissipou-se num instante. Ela olhou ao redor, alerta.
Não procure mais. Estou dentro da sua cabeça. Sou o seu querido sisteminha.
Lu Xinan ficou sem palavras.
Fala como gente.
Ora, é que você estava quase morrendo...
A voz infantil hesitou por um momento, antes de lhe contar, com todo o cuidado, como havia trabalhado arduamente para enfiar sua alma naquele corpo.
Foi e