O pai canalha, para favorecer a própria carreira, bajulou a facção dos eunucos e, com as próprias mãos, entregou a filha, Xu Wan, ao eunuco-mor Zuo Heng para servir de brinquedo. Diziam que ele era t
—Quem?!
A janela de treliça hexagonal se abriu e se fechou num instante, como se uma sombra houvesse deslizado para a alcova perfumada.
O coração de Xu Wan apertou-se; ela agarrou depressa as roupas penduradas ao lado da tina.
Antes que conseguisse se cobrir, a porta de correr já fora escancarada com um chute violento.
Uma turba de guardas de fora irrompeu no aposento.
Ela cerrou os dentes e voltou a sentar-se na tina, pressentindo que aquela noite não terminaria bem.
De relance, viu à frente o chefe vestido de vermelho, com a túnica de corte aberta; era justamente o eunuco com quem vivia — Zuo Heng, a primeira raposa traiçoeira do Grande Yuan, chefe da Oficina de Fiscalização.
Zuo Heng viu a cena e ainda assim não mudou de expressão; de fato, não era um homem comum.
Ergueu de leve a mão, e os guardas entenderam de imediato, virando-se de costas.
Ele tirou a longa lâmina da cintura e caminhou até Xu Wan.
Com aqueles olhos oblíquos e sombrios de raposa, lançou-lhe um olhar sem qualquer pudor.
—Os salões da casa receberam ladrões. Perdeu-se ouro.
Xu Wan manteve o rosto obediente e sustentou-lhe o olhar com calma.
—O senhor suspeita de mim? Veio cobrar contas no meio da noite?
Zuo Heng sacou a espada e a cravou de súbito na tina. A água espirrou por toda parte.
A lâmina nem chegou a sair da bainha, e a intenção assassina continuava intacta.
O coração de Xu Wan quase lhe saltou pela garganta, mas ainda assim forçou-se a manter a serenidade.
—Acha que na água pode haver alguém e