O vento da tecnologia soprou, e o sonho de Jiajing de cultivar o Dao tornou-se ainda mais real. Sem perceber, parecia que, a partir de 1543, a Grande Ming havia enveredado por um caminho diferente. E
No ano vinte e dois do reinado Jiajing, em 1543, ano gui-mao.
O Palácio Proibido, cuja construção começara no quarto ano de Yongle, soberano fundador da dinastia Ming, em 1406, consumira imensa riqueza e, após quatorze anos de obras, enfim se erguera. Como capital para a qual a corte fora transferida no meio do caminho, já passara, no mais curto espaço de tempo, pelas mãos de nove imperadores.
Dentro dos altos muros, reinavam a quietude e a profundidade sombria. Os eunucos e as damas de palácio que iam e vinham moviam-se com passos leves, sem produzir o menor ruído; naquela estranha serenidade infiltrava-se um frio lúgubre, capaz de fazer arrepiar a espinha.
— Depressa, ainda não vão impedir o Segundo Príncipe!
Uma voz feminina, clara e ansiosa, quebrou o silêncio profundo e gélido.
Num instante, ouviram-se chamados sucessivos de todos os lados.
— Segundo Príncipe! Segundo Príncipe!
Uma criança vestida com o chapéu de penas e o robe imperial vermelho, saiu correndo do Palácio Jingyang, seguida por duas damas de palácio e dois pequenos eunucos.
No rosto de todos havia uma expressão de pânico, como se o céu estivesse prestes a desabar.
As pernas queriam apressar-se um pouco mais, mas também temiam pressioná-lo demais e fazê-lo cair, assustado, ao mesmo tempo que receavam não alcançá-lo e sofrer punições ainda piores.
A criança era muito pequena.
Ainda assim, as pernas curtas se mexiam com surpreendente rapidez.
Pelo rumo em que corria, via-se claramente que se dirigia ao Palácio da Pureza Celestial; os