Desde pequeno, Zhuang Ziang sempre foi o típico exemplo do filho perfeito, aquele que todos invejam: aluno exemplar, o melhor em todas as provas ano após ano. No entanto, após o divórcio dos pais e o
— Doutor Chen, preciso evitar algum tipo de alimento por causa da minha doença?
— Fondue apimentado, churrasco, chá com leite, refrigerante... posso ficar sem tudo isso por um tempo.
— Também consigo dormir cedo, acordar cedo, sem mais virar noites.
Zhuang Zi'ang fitava o médico responsável, Chen Dexiu, com uma expressão de total sinceridade.
Sentia, ainda que vagamente, que seu estado de saúde parecia estar realmente ruim.
Chen Dexiu tinha cerca de cinquenta anos, entradas visíveis na cabeça, usava grossos óculos de armação dourada. Atrás dele, uma parede inteira coberta de bandeiras de agradecimento, testemunhando silenciosamente sua habilidade médica e reputação ilibada.
— Não, coma o que quiser — respondeu Chen Dexiu.
Uma frase tão leve e descompromissada, mas para Zhuang Zi'ang, soou como um trovão em céu limpo.
Ensurdecedora.
No laudo que Chen Dexiu lhe entregou, impresso com denso jargão médico, havia um termo que saltava aos olhos: câncer.
— Doutor Chen, tenho só dezoito anos.
— Já vi muitos mais jovens que você partirem.
— Quanto tempo me resta?
— No máximo, três meses. Aceite, ninguém escapa desse dia.
...
Zhuang Zi'ang segurava o diagnóstico, sem lembrar como saiu do hospital.
Sua mente estava em branco, caminhava atordoado pela rua, esbarrando em várias bicicletas compartilhadas.
Aos dezoito anos, na estação em que as flores de pessegueiro desabrochavam, sua vida já estava em contagem regressiva.
Três meses, noventa dias, duas mil cento e sessenta horas...